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terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

"Onde Estará o Meu Amor"

Como foi o leitor de Carnaval? Esse ano consegui acompanhar o desfile de quatro escolas de samba, cujos nomes já esqueci. Aliás, a Globo em tempo de carnaval é um saco. Fica passando resumo de quinze em quinze minutos, com os comentários chatos dos narradores.
Em época de Carnaval, há um clamor geral por filmes passados aqui em casa. Já é o terceiro ano que assisto o DVD do Bee Gees...pura preguiça de ir até a locadora.

Mas hoje o post é de Maria Bethânia, grande nome da música da nossa terra (longe de querer criar conflitos com os fãs de Elis, aliás também o sou).



Filha de um funcionário público e irmã de Caetano Veloso, Maria Bethânia Viana Teles Veloso é considerada a maior intérprete de sua geração, com 33 discos de estúdio lançados. Sua carreira poupa quaisquer comentários - ainda mais meus, leigo que sou da cultura desse país - tendo cantado ao lado dos gigantes da MPB, como Tom Zé, Gal Costa, Vinícius, Toquinho, entre tantos outros.

"Onde estará o meu amor", de autoria de Chico César, é maravilhosa. Ganha na voz de Maria Bethânia o timbre e a sonoridade perfeitos para a letra.



Maria Bethânia - Onde Estará o Meu Amor

Como esta noite findará
E o sol então rebrilhará
Estou pensando em você...
Onde estará o meu amor?
Será que vela como eu?
Será que chama como eu?
Será que pergunta por mim
Onde estará o meu amor

Se a voz da noite responder
Onde estou eu, onde está você
Estamos cá dentro de nós
Sós...
Onde estará o meu amor?

Se a voz da noite silenciar
Raio de sol vai me levar
Raio de sol vai lhe trazer
Onde estará o meu amor?



Saudades, todos sentimos saudades.
Do que conhecemos e do que desconhecemos, do esperado e do inusitado. Se há saudade, então essa pessoa, coisa, objeto, tem alguma importância na vida.
Em excesso, se torna uma droga, que não dá pra controlar. Existem os analgésicos, cujos inesperados efeitos tem duração incerta e ingrata.
(...)
Onde estará o meu amor?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Ah...acontece

Há coisas na vida que simplesmente não esperamos que aconteçam. E as reações a esses acontecimentos podem ser as mais diversas, desde "Fudeu...", até "Nossa, que interessante".
Posso citar alguns exemplos interessantes que vivi, ainda que sejam um tanto constrangedores.

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Quando criança, num passado impreciso, dei de cara com um vidro. Uma cena digna de replay em câmera lenta, com aquela voz grave gorda distorcida e um close na minha testa no exato momento da colisão.
Mas me defendo: o vidro estava PERFEITAMENTE limpo. Não havia um traço sequer de poeira! Depois da recuperação o porteiro, se segurando para não rir, me mostrou a maçaneta. E pior que era escura...
Pois é, não esperava que fosse acontecer.

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Devido a obrigações centro-acadêmicas, fui à loja da Perdigão com um amigo meu. Tudo normal, estacionamos o carro e entramos na loja de porta automática.
Chegando no balcão:
- Amigo, por favor, vê um pacote e meio de presunto?
- Quê?
- Quanto vem em cada um? 3,4 kg né?
- É, por aí...(o atendente parece atônito, como se não tivesse processado o que lhe fora dito)
- Então me vê 5,1 kg de presunto e de mussarela.
- ...

Pôs-se a trabalhar, após alguns segundos de reflexão. Pobre do fatiador, já era fim de tarde e aquele pedido lhe pegou de surpresa.
Enquanto isso, eu e meu amigo ficamos no aguardo, por uns vinte e poucos minutos. Sob recomendações, compramos um lanche de mortadela que era oferecido no local. Muito bom, veio no pão australiano, era macio e estava bem recheado. Depois nos ocupamos com algo pra beber, fui de iogurte, ele de achocolatado. Nisso o fatiador terminava de fatiar o presunto.
Sem ter o que fazer, andávamos pela loja como quem parecia planejar um assalto. Olhávamos desisteressadamente os produtos nos congeladores, fazendo comentários inúteis. De tempos em tempos eu checava a situação da mussarela. Parecia sempre estar na metade...
(...)
Finalmente o serviço terminara. Meio atrapalhados com a questão da logística, eu e meu amigo levamos a incomum quantidade de embutidos ao caixa. O monitor mostrava um número que eu relutava em acreditar. Compramos, naquela tarde, cerca de R$ 130,00 em frios.
Cheguei a sair orgulhoso da loja, exibindo as pesadas sacolas, cheias de queijo e presunto.
É absolutamente idiota, mas não esperava que fosse pagar presunto com cartão de crédito.

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Com certeza o leitor já deve ter passado por essa situação: ir com extrema pressa ao banheiro.
Era final de tarde, e eu tinha bebido 2 caldos de cana e um copo de 700 ml de chá com limão do Rei do Mate. Minha bexiga acumulava então mais de 1 litro de líquidos. Cheguei a casa de um amigo, onde, de pronto, corri para o lavabo. Lembro-me de ter me atrapalhado com o cinto e com a mochila nas costas. Eis que acontece a cagada: a chave de casa cai no vaso.

Que situação meu Deus....Que situação...
"Ahn.....eh....hum....fudeu...".

Fiquei ali, parado, pronto pra fazer o serviço, a pensar no que faria. A vontade até passou. Como o amigo era de longa data, lhe expliquei a situação. Enquanto me xingava, provindenciou um cano para retirar a chave. Após ser fervida, voltou para meu bolso. A bexiga voltara a dar sinais de que existia. Fui ao lavabo e fiz o que tinha de fazer, tomando o devido cuidado com a chave.
Pois é, não esperava mesmo que fosse acontecer.
Gosto daquela frase em inglês. "Shit happens".

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Não me arrependo, essas situações dão histórias muito boas. Só não gostei do lance do vidro. Agora, sempre que entro num banco, por exemplo, coloco a mão e, só após ter certeza de que não há vidro na frente, avanço.
Fica a dica ao leitor: cuidado com os bolsos quando for usar o banheiro.

ps. aliás, essa foto é muito boa. Se acontecesse comigo ia entrar pra esse post.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Impressões de uma tarde no mercado

Saí hoje de casa, acompanhado de meu pai, com dois objetivos: comprar 24 litros de leite integral e trocar o óleo do carro, cujo motor já vinha dando sinais de fatiga.
Era 17h12 e fazia Sol.

Pois bem. Um típico dia de cão.

Optamos pelo Carrefour, pela proximidade e pelo serviço da troca de óleo a baixo custo.
Não sei que diabos ocorreu, mas o supermercado estava absolutamente lotado. Amontoados de gente se espremiam pelos corredores, à procura das ofertas e das melhores batatas. O trânsito de carrinhos era frenético, totalmente caótico, aos moldes do futurismo italiano. Vozes ecoavam pela construção, enquanto mães, aos berros, clamavam pelos seus filhos, a correr por entre a multidão.

Ao encontrar a seção de leites, notamos uma aglomeração incomum. De pronto, meu pai disse do que se tratava, com ar de sabedoria. "Estão fazendo promoção...". Na mosca. O litro do Marajoara saía por R$ 1,09, consideravelmente abaixo das outras marcas. Aqui pude testemunhar a selvageria consumista que assola a sociedade moderna. Era, literalmente, cada um por si, num habitat onde prevalecia a lei do mais forte.
Caixas de leite eram arrancadas dos pacotes e separadas das companheiras de transporte, fortemente violentadas pelos consumidores vorazes. Uma pobre de uma senhora escorregou enquanto tentava garantir seu leitinho. Ninguém ofereceu ajuda pra levantá-la, todos se ocupavam de conferir a validade do produto.
Sobrava pouco para os mais idosos, algumas caixas amassadas e alguns pacotes danificados.
"Que coisa horrível, meu Deus!", exclamou uma senhora que passava pelo front. Olhei pro meu pai e, juntos, concordamos silenciosamente com a indignação da senhora.

Garantido o leite, fomos para o caixa. Escolhemos o reservado àqueles com trinta volumes ou menos (a propósito, a fila desse caixa passa, necessariamente, por uma enorme variedade de inutilidades, desde apontadores a salgadinhos para petiscar no caminho).
Outra epopéia. Aqui confirmei minha tese sobre a desorganização de pessoas num espaço onde cada um só tem controle sobre si mesmo. Em resumo, a fila era...estranha. Fazia umas curvas desnecessárias, cuja única utilidade era dar margem àqueles que se recusam a ir pro final da fila.
Era uma zona, todos reclamavam e praguejavam por estar alí. Como pareciam infelizes.

Abro um parênteses às impressões. Uma menina colocava a boneca da Branca de Neve no carrinho e seu pai a retirava. Ficaram nisso por uns cinco minutos, até o pai se cansar e tomar medidas mais enérgicas. Uma senhora dormia na fila, apoiada nos pulsos. Uma outra contava quantos itens tinha no carrinho, parecia estar preocupada com a possibilidade de exceder trinta volumes. Um rapaz conversava com sua mulher sobre Freud. Um outro fulano colocava um Halls no bolso da jaqueta, confiante de que ninguém o tivesse visto. Me omiti, sempre tive vontade de fazer o mesmo. Uma garota cutucava as narinas e alojava os detritos nas costas da mãe, que parecia intrigada com a capa de uma revista de moda. E uma última senhora devorava um donut de doce de leite que comprara na loja, parecia estar realmente faminta.

Fecho parênteses, chegou minha vez de ir pro caixa. "CPF na nota?". "Não, obrigado.". Estranhei a atitude do meu pai, assumi que era mesmo o cansaço. Finalizamos a conta e fomos embora. Na metade do caminho para a saída, começa a chover. Porra...que chuva forte. Muito forte. Muito...
Fazer o que, só nos restava esperar. Quatro moças vieram nos oferecer o cartão Carrefour, as quais dispensamos sem delongas. Ficamos ali, sentados, por vinte minutos.
Amenizada a chuva, fomos ao carro. Só que no caminho o carrinho virou...as pobres caixas de Marajoara, já violentadas pelos consumidores vorazes, ficaram ainda mais amassadas e molhadas. Que caos, meu Deus. Tive de voltar ao mercado e providenciar sacolas plásticas.

Ainda bem que na troca de óleo demoramos só meia hora, tudo correu bem. Finalmente consegui sair daquela merda do Carrefour.
Cheguei em casa e preparei um delicioso café. Torrei algumas fatias de pão italiano e aproveitei o resto da manteiga. Ah...que delícia. Pelo menos a noite começou de forma agradável.

Supermercados podem propiciar momentos realmente desagradáveis, fazer seu dia parecer completamente inútil e ainda esvaziar seus bolsos. Me veio à cabeça o slogan do Pão de Açucar. "Pão de Açucar: lugar de gente feliz!". Pelo amor de Deus...
Desculpem os palavrões, mas já adianto que fui econômico, era pra ter falado muitos mais.