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domingo, 26 de abril de 2009

¿Que pasa?

Surpresas costumam ser boas, mensageiras de tempos melhores. Mas os costumes mudam ao longo do tempo.
Eu, por exemplo, abandonei o costume de ser indiferente às minhas vontades. Agora, adotei o costume de preparar uma infusão de chá verde todos os dias, por volta das 20h.
Que coisa, não? Deve ser por isso que costumo dormir diferentemente do que dormia antes. Mas não estou surpreso.

Desacostumado a lidar com surpresas, me perdi ao me deparar com uma em tempos recentes. De uma vontade suprimida ressurgiu uma tormenta de expectativas e esperanças.
Sentir o que venho sentindo me intrigou. Racionalista que sou, procurei analisar a situação e buscar as suas razões. Incansavelmente, ponderei sobre o que poderia estar acontecendo. Mas os resultados foram pouco satisfatórios.
Por que é que estou assim? O que é essa insuportavelmente constante vontade?

Trata-se, como o leitor decerto pôde depreender, de uma garota. Sim.
A priori, essa constatação pode criar a falsa impressão de se tratar de um texto raso, sem conteúdo, fruto de desencontros sentimentais de um moleque de 20 anos - não que eu assuma que agora esteja escrevendo textos maduros.
Entretando, espero que a constatação posterior contradiga o que lhes trouxe essa primeira impressão.

Pois bem.
Veja.
...
A coisa aqui vai além dos títulos. Não me importa se vão dizer que estamos "ficando" ou "namorando". Não me importa se vamos nos dar anéis, se vamos nos dar presentes no 12 de junho, se vamos nos abraçar, nos beijar. Trata-se de algo maior, algo que não sentia há sei lá quanto tempo.

É como se fosse uma mistura de respeito, cumplicidade, companheirismo e segurança. Não há descrições. O que ocorre é que simplesmente ficar perto dela me faz bem. E é um bem indescritível, como se mais nada fosse necessário, como se mais nada realmente importasse.
Por que é com ela não sei. Mas ela é diferente das outras, e as outras são diferentes dela.
Em suma, é como se a forma que essa relação assumir fosse irrelevante. Como se eu estivesse concentrado num ideal, numa situação até certo modo hipotética, num sentido último que não esse que conhecemos por relação entre homem e mulher. Como se o que bastasse fosse dela um sorriso e um olhar, na certeza de que ela está bem e em paz.

Mas, se ela é o centro do sentimento, por que esse desejo de que ela sinta a mesma coisa? Contradição? Incoerência?

Se é recíproco ou não, quem sabe? Até que ponto o que cada um quer é o que cada um pode dar? Até que ponto o que cada um pode dar é o que cada um quer? E até que ponto a idéia do que cada um pode dar ou quer faz algum sentido? Essas perguntas se tornam um tanto perturbadoras, são barreiras que construí dentro dos meus próprios pensamentos, como se quisesse me convencer que não fosse dar certo.
Mas aos poucos me acostumo com a idéia de que o que eu quero e o que ela pode dar é irrelevante perto do possível fato de estarmos juntos.

Creio que é mais um texto de temática existencialista, apesar da roupagem aparentemente infantil. No fundo, talvez eu busque um sentido pra toda essa mecanicidade que dirige minha vida diária. Um sentido que acredito ter encontrado na figura de uma garota, figura esta afísica, quase metafísica.
Se não der certo, volto à busca inconsciente pelo sentido, que faço desde que nasci. Busca essa presente em cada ser humano, que, entre encontros e desencontros, vão vivendo, sobrevivendo e subvivendo.

5 comentários:

Daniela disse...

seu texto não eh de cunho existencialista nem marxista-leninista.
Eu resumiria tudo numa só palavra: PAIXÃO!

vá em frente e boa sorte, mon cher!
bises

Dolle disse...

li e adorei!

Érica disse...

É tudo tão magico que eu tenho que confessar que até suspeirei um pedido enquanto lia! E quando terminei.. só uma frase surgiu meio surruada na minha cabeça: "com voce meu mundo ficaria completo"

.. contagiante...

[garota de sorte!]

Dani disse...

Concordo com o que disse a Erica, e entendo perfeitamente o que diz!
Bonne chance !!!!
Beijos
et oui, t´es amoureux !!!
;-***

Anônimo disse...

Aprendi muito